Apresentação TESP

O Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito – Volume V – Sinalização Semafórica introduziu vários novos conceitos nos projetos semafóricos. Dentre eles, ressalta-se a avaliação da necessidade de implantar uma sinalização semafórica tomando por base o tempo de espera dos pedestres e dos condutores no local. Entretanto, no caso de projetos que envolvem reconfiguração geométrica, ou alteração de circulação, essa medição direta é impossível de realizar, pois a configuração projetada não existe ainda na realidade.

A fim de superar tal dificuldade, foi desenvolvido o aplicativo TESP – Tempo de Espera de Pedestres, que estima qual será o tempo médio de espera dos pedestres na situação projetada. O valor obtido é confrontado, então, com os quesitos estabelecidos no item 4.2.3 do Manual, para determinar se a implantação de sinalização semafórica no local, sob o ponto de vista da travessia dos pedestres, é necessária.

Em locais onde não haverá alterações que interfiram no tempo de travessia dos pedestres, o mais conveniente é medir diretamente o tempo de espera em campo, pois assim estarão sendo consideradas todas as características peculiares ao local. O Apêndice 2 do Manual dá suporte para a realização dessa pesquisa. Entretanto, se, por algum motivo, a sua operacionalização não for viável, pode-se recorrer ao TESP a fim de estimar o tempo médio de travessia e confrontá-lo com o critério estabelecido no item 4.2.1 do Manual.

A filosofia adotada pelo TESP é simular, segundo a segundo, o que ocorre na realidade. O resultado final não é, portanto, deduzido a partir de expressões analíticas, mas contabilizado, diretamente, da interação entre veículos e pedestres, a qual é representada no modelo.

Tanto os veículos como os pedestres são gerados segundo a Distribuição de Poisson. Para cada uma das faixas de rolamento, impõe-se a condição de contorno de que não pode haver mais de um veículo em cada intervalo de 2 segundos numa mesma seção da via, o que implica num fluxo de saturação, por faixa, igual a 1800 ucp/h.

O volume (fluxo) informado para certo sentido da via é dividido igualmente entre as faixas correspondentes.

Como a geração dos pedestres e veículos é feita através de processo aleatório, o programa simula por dez vezes a hora crítica e fornece a média aritmética das esperas obtidas nessas dez simulações a fim de obter um resultado representativo.

O próximo passo consiste em tratar a travessia de pedestres, em si.

O programa vai somando os tempos de espera individuais dos pedestres desde o momento em que chegam na calçada até o momento em que iniciam sua travessia.

TESP adota um tempo de percepção e reação do pedestre igual a 1 segundo no caso de mão única; no caso de mão dupla, este tempo é aumentado para 2 segundos a fim de representar a maior dificuldade de avaliação de brechas.

Para que um pedestre aceite realizar uma travessia é necessário que os dois seguintes requisitos sejam cumpridos simultaneamente:

a) Durante a travessia, deve haver, no mínimo, a distância correspondente a uma faixa de rolamento, entre o pedestre e qualquer veículo que se encontre na mesma seção;

b) Deve haver um intervalo igual ou superior a três segundos entre a passagem do pedestre por um ponto e a passagem de um veículo por esse mesmo ponto.

Uma travessia só é iniciada se os dois requisitos impostos são cumpridos em todas as faixas, sem que haja necessidade do pedestre parar, nem recuar, durante a travessia para cumpri-las. Portanto, todo o tempo de espera ocorre na calçada e não durante a travessia em si.